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Fábio Ciccone é um carioca de 24 anos que cresceu no interior de São Paulo, na cidade de Lençóis Paulista. Veio para a Capital paulista em 2001 estudar Publicidade e hoje trabalha como designer gráfico. Fábio é o criador da série de tiras "Magias & Barbarides", que contam as aventuras de um trio divertido formado pelo bárbaro Oc, a amazona Idana e o mago Remmil.
   Em um bate-papo com o Mexidão HQ, ele fala um pouco do Magias & Barbarides e de quadrinhos nacionais. Confira a entrevista com Fábio Ciccone.    Mexidão HQ - Como surgiu a idéia de criar o "Magias & Barbaridades"? O trio de protagonistas teve alguma inspiração especial?    Fábio Ciccone - O Magias surgiu na faculdade. Na época, eu e mais cinco amigos estávamos pensando em criar um portal de quadrinhos, onde cada um publicaria uma HQ. No fim das contas, só eu que dei cabo à idéia, e comecei a publicar em um blog as tirinhas sob o nome de "O Tomo de Edmund".    A idéia básica era fazer uma aventura cômica com a temática de fantasia medieval, porém sem recorrer a clichês do tema como elfos, anões, dragões e essas coisas. Imaginei que, fugindo desses temas típicos de Tolkien e jogos de RPG, faria uma HQ capaz de agradar a um público mais diverso.    A história, a princípio, girava em torno de Remmil e Oc, que estava viajando pelo mundo em busca do Tomo de Edmund (daí o nome original da HQ), um artefato mágico. Algum tempo depois, surgiu uma oportunidade de publicar um álbum com as tirinhas, pela editora Com-Arte, da USP (projeto este ainda em andamento). Na ocasião, a editora do álbum sugeriu que a tira mudasse de nome, e foi então que surgiu "Magias & Barbaridades".    O trio de personagens surgiu todo de uma vez na minha cabeça, embora a Idana só tenha aparecido de fato na HQ anos depois dos outros dois. A idéia básica era fazer personagens que representassem o estereótipo do mago, do bárbaro e da guerreira amazona em um aspecto, mas que fossem originais em outro: o mago que apesar de toda sua arrogância não é lá tão brilhante, o bárbaro que é na verdade fã de Shakespeare e a amazona que não é lá muito sedutora e nem tão feminina assim.    Mexidão HQ - Oc e cia foram recentemente publicados no livro "tiras de letra todo dia". Você já havia publicado esses personagens antes? Você imagina eles como uma revista seriada?    Fábio Ciccone -Na verdade, ainda não havia publicado em impresso. O que acontece é que existe, em andamento, o projeto para publicação do primeiro álbum do Magias pela editora Com-Arte. O livro reunirá as tiras anteriores à história "A Ordem da Lua", ou seja, todo material que não está no site, as primeiras aventuras de Remmil e Oc.    Era para o livro ter saído no fim do ano passado, mas por questões burocráticas acabou não acontecendo. A previsão é que saia até o meio do ano. Devido ao formato de tiras, vejo mais o Magias sendo publicado em jornais do que na forma de revista. São estilos de humor e de ritmo diferentes. Já imaginei uma HQ seriada do Magias, mas nunca consegui tempo de sobra bastante para imaginar a viabilização de algo do tipo.    Mexidão HQ - É comum ver quadrinistas brasileiros publicando suas histórias em fanzines. O site do Magias & Barbaridades seria uma espécie de fanzine eletrônico?    Fábio Ciccone -Na verdade, eu enxergo os quadrinhos online como um tipo completamente a parte de publicação. A internet oferece vantagens e desvantagens muito típicas do meio, portanto não acho que classificar como "um tipo de fanzine" faça juz às HQs na internet. Neste aspecto, prefiro o termo "Webcomic", usado lá fora, que para o público brasileiro eu chamo de "HQ online". Embora saiba da existência e das possibilidades de fato da publicação de fanzines via web, acho que sites de um único autor e especializados na publicação única e específica dos seus quadrinhos fogem a essa característica.    Mexidão HQ - Muitos trabalhos, como Sophia Pongota, Homem-Grilo e Brigada Ônix, por exemplo, são publicados na internet também. Você acha que a web pode ser uma opção para os desenhistas brasileiros mostrarem seus personagens, num mercado tão difícil quanto o brasileiro?    Fábio Ciccone -Certamente. Vejo os quadrinhos como uma das formas de expressão mais fáceis de serem produzidas. Tudo que você precisa é uma idéia, papel e caneta e pronto, você faz uma HQ. A internet exclui da equação aquilo que dificultava a publicação antes, ou seja, a máquina editorial. Assim, você só depende de você mesmo.    As HQs online já são algo tradicional lá fora, com público cativo, já institucionalizado, com autores se reunindo em portais e tal. No Brasil, ainda estamos engatinhando neste aspecto, mas estamos crescendo! Acredito que o mais importante para um quadrinista é produzir alguma coisa.    Não adianta ter talento, desenhar uma ou duas páginas e querer que alguém pague pra você fazer o resto, e isso é muito frustrante. A internet permite que você publique de graça seu material e que possa reunir a quantidade necessária para que sua HQ se torne viável para os editores de impresso (algo que eu acredito ser objetivo de todo autor de HQ online).    Mexidão HQ - Alguns quadrinistas brasileiros não gostam de publicar suas histórias na internet porque sentem falta do cheiro do papel e da tinta, optando pelos fanzines. Você não tem essa necessidade de contato?    Fábio Ciccone -Sim, certamente. É uma sensação diferente ter o contato físico com seu trabalho. Alumas vezes imprimi em casa mesmo as minhas tirinhas e fiquei superfeliz só de tê-las em papel. Porém, a praticidade da internet não tem comparação. É possível manter a regularidade e um contato intenso com os leitores de uma forma que, na minha opinião, fanzines impressos não proporcionam.    Mexidão HQ - Você acompanha as tiras e/ou histórias de outros quadrinistas brasileiros?    Fábio Ciccone -Uma das minhas principais influências é o Laerte. A forma como ele constrói suas tiras, o tipo de humor, a arte, tudo me serve como inspiração. Gosto muito também do Adão Iturrusgaray, de "10 Pãezinhos" de Fábio Moon e Gabriel Bá e dos "Malvados" de André Dahmer.    Mexidão HQ - Você já se imaginou alcançando um nível de reconhecimento que poucos quadrinistas, como Maurício de Souza e Ely Barbosa, por exemplo, alcançaram?    Fábio Ciccone -Claro que sim! Imagino isso todos os dias! Antigamente isso era um sonho, hoje é um projeto de vida. Mas ainda preciso comer muito arroz e feijão para chegar neste nível.    Mexidão HQ - Como é o seu relacionamento com os internautas? Eles entram em contato com você com que freqüência?    Fábio Ciccone -Recebo mensagens freqüentemente de leitores. Vejo isso como uma das maiores vantagens da HQ online. Assim como é fácil de publicar, é fácil de ter contato com seus leitores. Procuro ouvir suas sugestões e críticas, e, na medida do possível, atender a pedidos. Ouvir a resposta dos leitores é algo que me dá mais ânimo para continuar.    Mexidão HQ - Se alguma produtora resolvesse fazer uma animação baseada nas suas tiras, quem você gostaria de ver dublando seus personagens?    Fábio Ciccone -Hahaha, é difícil responder essa. Já tive essa mesma discussão com alguns amigos meus e nunca consegui chegar a conclusão alguma! A única coisa da qual tenho certeza é que, numa eventual adaptação hollywoodiana, Tom Cruise interpretaria Saru Pnit.    Se você ficou curioso em conhecer as aventuras de OC, Remmil e Idana, acesse o site. Fábio Ciccone tem ainda uma página com ilustrações e um blog com contos. |
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